Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu o intendo do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glórias, pois, a ele eternamente. Amém! - Romanos 11.33-36.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Entrevista com o escritor Alcindo Almeida


Em primeiro lugar, gostaria de saber como/quando surgiu o desejo de escrever?
Certo, bem novo fui despertado por uma professora que motivou a gente a ler. Eu tinha 10 anos de idade. E aquilo despertou em mim o desejo pela imaginação. E quando amadureci comecei a escrever meus pequenos textos e eles se transformaram em livros no futuro.


Seu cotidiano é repleto de atividades: família, igreja, devocional, escrita. Como você se organiza, de onde vem tanta disposição e qual o seu mecanismo para não ficar estafado? 

Tenho uma vida absolutamente intensa como marido, pai, pastor e escritor. E ainda tenho algumas atividades como: analisar livros, escrever artigos para a Revista Lar Cristão e revisar livros. E participo de um grupo de apoio pastoral chamado Projeto Timóteo há 15 anos. Creio que quando alguns leem algo assim, pensam assim: essa pessoa não dorme e não tem tempo para absolutamente nada. Isso é um engano, durmo bem menos do que a maioria das pessoas, mas tento compensar nas minhas folgas.

Tenho uma vida que chamo de disciplinada. Eu fui influenciado por um professor que tive no Ginásio (Escola Epitácio Pessoa – na Zona Leste de São Paulo) - professor Afonso. Não me esqueço deste homem! E quando fiz GV, eu tive a influência de um professor chamado Jair Latorre que dava uma matéria chamada MMFD (Máquinas, Materiais, Ferramentas e Dispositivos).

O primeiro era uma pessoa absolutamente disciplinada, com regras e nos desafiava em tudo mesmo como adolescentes. Aquilo impactou a minha vida, porque ele era professor de educação artística. Ele nos fazia viajar e sonhar com nossa própria história. Quanto ao meu professor na GV, Jair Latorre era meu ideal como profissional. Na primeira aula ele disse: “Não admito atrasos, entregas atrasadas de trabalhos. Não admito brincadeiras fora do tempo, mas jogarei bola com vocês. E farei de vocês verdadeiros profissionais na vida”. Ele não sabia que Deus o usaria para me moldar para o pastorado e para marcar minha vida. Hoje eu tenho uma vida em todos os sentidos com disciplina.

Leio no mínimo 30 páginas por dia, quando dá leio 100 páginas ou mais, apenas depende do dia. Mas, estabeleço regras para tudo. Leio 5 capítulos da Bíblia e vou indo assim há alguns anos. E para isso não há muito segredo. Talvez o maior segredo chama-se a palavra que já fiz menção: disciplina. Nós temos doze horas pelo menos por dia, então aproveito ao máximo e claro que deixo algumas coisas de lado. TV por exemplo é algo que vejo pouco. Não sei de novelas, pois, só vejo TV de quarta à noite com mais frequência por causa do futebol e procuro ver alguma palestra ou filme com a minha esposa.

Creio que a disposição vem sempre do Eterno Deus e o mecanismo para não ficar estafado é ter um tempo de lazer no meio de tudo isso e não azedar diante das lutas e desafios da nossa vida.

Ainda no mesmo tópico da pergunta anterior, podemos dizer que seus horários são bem puxados. Você fica acordado até de madrugada. Pode nos falar um pouco mais sobre isso?

São mesmo, sim durmo sempre tarde. Com exceção do sábado que vou para cama mais cedo. Nos demais dias sempre leio e escrevo até tarde da noite.

Como surgiu a Série Intimidade com a Palavra?

Eu estava escrevendo no Livro de Salmos e fiz 3 volumes de devocionais. Em seguida escrevi os textos de Filipenses e Tiago. Conversando com o Emílio Júnior, ele deu a sugestão de fazermos uma série da Bíblia com uma capa e um padrão na sequência. E ele pediu para eu pensar no nome da série. Pensei, pensei por vários dias e veio a ideia:  Série Intimidade com a Palavra.


Você, é claro, consulta vasta bibliografia para seus escritos. Você as seleciona previamente ou, conforme vai lendo, “surge” o que será utilizado? Qual a forma de apontamentos/notas que você utiliza?

Sim, faço consultas, mas isso acontece enquanto estou no projeto do texto. Sempre que pego alguma ideia ou citação de algum autor, chamo o rodapé e coloco a obra e sempre no final faço o trabalho normal de referências.

Você tem um cronograma, horário, local específicos para escrever ou o faz quando, onde e como puder?

Prefiro escrever no período da noite, mas as leituras e devoções nas Escrituras sempre faço nas manhãs. Atualmente estou com uma vida meio corrida, então tento administrar o tempo durante o dia.


Apesar de nada original, gostaríamos de saber quem é seu autor predileto.

Puxa vida, querida Juliana! Essa é dureza para responder porque tenho vários. Mas, se você perguntar qual o que mexe mais comigo respondo: Eugene Peterson. E um segundo é Henri Nouwen.

Você lançará um novo livro agora em julho, sobre o evangelho de Mateus. A expectativa é sempre grande a cada lançamento, ou já se tornou algo natural?

Nada, sempre tenho grande expectativa e sempre fico com um frio na barriga. É sempre joia para meu coração colocar nas mãos das pessoas um escrito meu. Sinto-me sempre feliz e com um sentimento de trabalho realizado. Só sinto que no Brasil é duro o trabalho de um escritor novo como eu.

Qual o público que você deseja alcançar com essa nova obra?

Pretendo atingir aqueles que gostam do assunto espiritualidade. Na verdade não trabalharei o texto todo de Mateus porque é bem longo e com capítulos longos também. Abordarei o texto dos capítulos 5 a 7 de Mateus que foram transformados em 20 capítulos no meu livro, Vida Sincera.

Por que o livro de Mateus?

Não tem um motivo específico, chegou o tempo de Mateus. O próximo será um livro que comecei a escrever sobre casamento e depois provavelmente um devocionário. E depois retorno para Provérbios de Salomão.

Qual é o caráter de sua obra: didático, devocional, histórico?

Eu diria que é divido em três: didático, devocional e voltado para a espiritualidade bíblica.

Quanto tempo foi necessário para a realização dessa obra?

Eu levei cerca de um ano e meio.

Encerro a entrevista agradecendo a atenção e a disposição do querido pastor e escritor Alcindo Almeida que, em meio a tantos afazeres, arrumou um tempinho para nos atender.





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