Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu o intendo do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glórias, pois, a ele eternamente. Amém! - Romanos 11.33-36.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Limbo

Eu passo o tempo todo tentando ser forte, tentando não ficar nervosa, tentando não murmurar, tentando esperar pacientemente e confiante, mas minha carne treme de nervoso, as lágrimas escorrem pelo meu rosto e meu coração penetra nas profunda escuridão do desespero e da solidão.

Penso que eu sequer me queixar estarei sendo ingrata, penso que devo olhar para as bênçãos que tenho, penso que devo manter os olhos fixos no Alvo.

Mas, o fato é que, se um lugar pode matar alguém, o lugar no qual eu moro está realmente me matando.

O sentimento de que sou um péssimo ser humano por não estar suportando bem toda a afronta e injustiça que penso sofrer aqui se agrava pelo fato de que Deus já me deu o lugar para o qual irei muito em breve. Por Ele já ter feito isso, deveria estar saltitante e sorridentemente esperando a libertação deste lugar.

Entretanto, sinto-me como se estivesse sendo punida simplesmente por existir e ser quem eu sou, por gostar do que eu gosto: paz, sossego, tranquilidade e silêncio.

Sinto-me como se estivesse num limbo, do qual jamais conseguirei sair, não importa o quão arduamente eu me esforce.

Minha vida está se esvaindo, e eu estou esvaindo a vida do meu esposo.

Tento tanto e tanto ser forte, agradecida e feliz, que não posso nem me sustentar de pé.

Se fosse espírita, acreditaria que estou sendo punida por atrocidades cometidas na vida passada. Louvado seja Deus, sou serva do Altíssimo, e sei que no mundo tenho e ainda terei muitas aflições, mas que Ele está comigo. Saber que Ele está comigo faz com que eu me sinta pior ainda por mergulhar cada vez mais no poço sem fim da angústia de alma. Deveria ter uma atitude de regozijo, não por estar sofrendo, mas por saber que isso é temporário, que sou mais que vencedora em Cristo Jesus e que, ainda que eu morra, o meu Redentor vive e, por fim, se levantará e me levantará junto com Ele.

Por mais transparente que eu seja, não consigo contar às pessoas sobre meu sofrimento, não consigo admitir para elas que estou nesta situação terrível. Para elas essa não seria uma situação terrível, afinal, nada me falta, e o que é um pouco de barulho todos os dias da sua vida pro apenas quase 24 horas? Tenho um teto, e isso deveria bastar. Mas não basta. Minha alma está doente, o meu corpo fica doente. Não consigo fazer nada. O cançaso e a fatiga são extremos. O barulho, constante. Preciso sair daqui. A minha alma e o meu corpo já não suportam mais.

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