Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu o intendo do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glórias, pois, a ele eternamente. Amém! - Romanos 11.33-36.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

BARULHOS DE UMA CASA

Quando eu era criança, minha casa fazia barulhos. Fazia o barulho do tanque de lavar roupas, da enceradeira lustrando o chão, do fósforo ou do isqueiro sendo aceso para atear a chama do fogão. Fazia também o barulho do rádio e da televisão, primeiro preto e branco, depois colorida. Quando eu era bem pequena, ela fazia o barulho do penico sendo tirado de debaixo da cama no meio da madrugada, e depois lá sendo colocado novamente. Havia o barulho das crianças brincando no quintal, o barulho do café da tarde com minha mãe e meu irmão mais velho. O barulho das torradas sendo tiradas do forno. Havia o barulho de todos reunido à mesa para o jantar. A casa também fazia barulho de futebol de botão, de pebolim, de acampamento na sala, onde ficava o beliche. Ah! Também tinha o barulho do meu irmão jogando pião, além do barulho avisando que o pipa era dele, aquele que outro alguém tinha perdido ou que ele mesmo havia “cortado”. Minha casa fazia o barulho de pessoas chamando no protão, ou batendo palmas. Não podemos esquecer do barulho da geladeira. E o barulho do pai em cima do telhado arrumando a antena?!
Aos poucos esses barulhos foram mudando. Passaram a ser o barulho da máquina de lavar roupas, do fogão elétrico, do vapor do ferro de passar roupas, da descarga do banheiro dentro de casa. Ao barulho do rádio e da televisão juntou-se o barulho do vídeo game, acompanhado de muitas reivindicações pela vez de jogar, é claro. Mais tarde, surgiu o barulho de um bebê, de seu choro, de suas mamadeiras, de suas fraldas, de pano, de seu andador, e, depois de um tempo, de suas acaloradas disputas pela vez de jogar no vídeo game; e mais tarde, pela luta dele por um vídeo game mais moderno. Minha casa fazia o barulho da campainha. O barulho de família se arrumando para ir ao parque era outro barulho que minha casa fazia.
Hoje, minha casa faz outros barulhos. Faz o barulho do micro-ondas, o barulho do freezer, da geladeira, o barulho do aparelho de tv à cabo, o barulho dos computadores sendo ligados (observe que disse computadores, no plural). Minha casa tem barulho de teclados de computadores, de botões de micro-ondas, de botões de máquina de lavar, de botão de acendimento elétrico do fogão de botão do controle remoto da televisão, de botão do controle remoto do aparelho de tv à cabo, de botão direito do mouse, de botão esquerdo do mouse, de botão, botão e mais botão. Minha casa hoje faz o barulho de cada um comendo “no seu canto”, de cada um, em seu próprio computador, acessando o que lhe interessa na internet, de cada um, cada um, cada um. Mas, minha casa faz um outro tipo de barulho, um barulho maravilhoso: o barulho de pessoas se arrumando para ir à igreja. Ah! Esse barulho! Esse barulho e magnífico. O barulho de casal se arrumando para ir ao shopping é um barulho que minha casa faz constantemente hoje. Celulares, celulares, celulares: outro barulho que minha casa não abre mão de ter. O barulho do rádio sumiu; deu lugar ao barulho das músicas em formato mp3.
Minha casa fazia barulho de café sendo coado no coador de pano; depois minha casa passou a fazer barulho de café sendo coado no coador de papel. Hoje, minha casa faz barulho de café sendo coado pela cafeteira.

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