Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu o intendo do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glórias, pois, a ele eternamente. Amém! - Romanos 11.33-36.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

AMIZADES

Tenho sérios problemas com amizades. Sempre arrumo para mim mesma amizades defeituosas. Cultivo ao máximo essas amizades. Doo-me ao máximo, chegando mesmo ao extremo. Então, “de repente, acontece!”. Começo a perceber, ver, enxergar, notar todas as coisas que me desagradam nessas amizades. Não só no que diz respeito às pessoas, mas às suas ações também. Por exemplo. Dou total liberdade para que elas manifestem suas opiniões, emitam seus pareceres e deem seus conselhos. Mas, aí, “de repente”, algumas palavras, como que palavras mágicas, causam em mim total ira. Isso mesmo: ira. E não estou me referindo ao Exército Republicano Irlandês (IRA – Irish Republican Army), e nem à banda brasileira de rock que fez sucesso nos anos 1980, com uma curto “volta” em 2004. Não. Refiro-me ao intenso sentimento de ódio, de rancor, ger. dirigido a uma ou mais pessoas em razão de alguma ofensa, insulto etc., ou rancor generalizado em função de alguma situação injuriante; fúria, cólera, indignação (dicionário Houaiss da língua portuguesa).
Além do fato de a ira ser uma obra da carne (Gálatas 5.19, parte a, e 20), há a triste realidade, à qual não posso me furtar, de que sempre sou eu a causadora de tais circunstâncias, tanto da “ofensa” que sofro como da ira que me acomete.
Há ainda outras ações praticadas de minha parte que não cabem ser mencionadas aqui. A prática mencionada acima serve de exemplo de minhas atitudes.
É claro que todos gostamos de emitir pareceres, opiniões e conselhos. Mas não gostamos de ouvi-los. Em minha defesa posso dizer que não tenho problemas em ouvi-los; tenho problemas com a forma como eles são expostos. Tonalidade de voz, expressão facial e corporal, ar de superioridade, arrogância e de que “eu sou melhor do que você” são suficientes para “disparar o gatilho” da fúria. Afora isso, fico encolerizada comigo mesmo por ter me submetido a tantas afrontas.
E se há algo engraçado nesta situação é que, no momento em que os ataques são dirigidos a mim, os recebo muito bem. Mas, no momento em que deito em minha cama e começo a pensar nas coisas que aconteceram no decorrer do dia e nas circunstâncias que exigiram o “abrir da boca” de meus amigos, aí é que eu fico totalmente fora de mim. A raiva toma conta do meu ser. Perco até o sono. Mas, para não magoar os que amo, simplesmente me calo e os deixo ir embora de minha vida, para sempre.
Agora, reflito eu, como prosseguir com uma amizade permeada pelo desejo de “explodir” e dizer tudo o que “está entalado na minha garganta”? Consequência: destruo todas as minhas amizades pois, como as construo por amor a tais amigos, jamais tenho coragem de magoá-los dizendo-lhes todos os rancores que tenho por todas as coisas que me disseram, com minha completa, total, plena e integral anuência. Os adjetivos dispostos imediatamente antes da palavra “anuência” ali estão, todos eles, com o objetivo de demonstrar qual real e efetiva é a minha autorização para que os amigos ajam de tal maneira.
O mesmo texto de Gálatas que fala das obras da carne fala, na sequência, do fruto do Espírito. E, um dos componentes desse fruto é a temperança. Alguns dos significados de tal termo são, de acordo com o dicionário Houaiss (mais uma vez): que age com moderação; comedido; prudente; não excessivo; razoável.
Bem, se eu colocasse em prática o fruto da temperança, não cometeria a obra da ira.
Limites. Tudo na vida tem que ter limites. Até no ato de se estabelecer uma amizade precisa haver limites.
Acabo me afastando, me distanciando dos meus queridos amigos, e eles nem sabem porquê (espero que este seja o “porque” correto para esta oração).
Limites, moderação, temperança, domínio próprio. Estas são as palavras de ordem do dia, inclusive ao instituir novas amizades.
É claro que muitas de minhas amizades se perderam nos caminhos naturais que a vida traça para nós, mas outras tantas eu mesma enxotei de minha vida, devido à minha falta de prudência.

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