Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu o intendo do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glórias, pois, a ele eternamente. Amém! - Romanos 11.33-36.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

ESCREVER

Bem, eu gosto muito de escrever, e tenho muito sobre o que escrever. Mas, sempre que penso em escrever, também penso: “Por quê? Para que? Para quem”. Bem, quero escrever porque é uma forma maravilhosa de comunicação e expressão. Posso comunicar-me com Deus e expressar meus pensamentos e sentimentos para Ele, e muitas vezes deixo de escrever por isso. Mas, se o que tenho a exprimir fica gritando para ser escrito, por que não fazê-lo? Também quero escrever para meus amigos (aqueles que restaram), para que eles saibam um pouco mais sobre mim, um pouco mais profundamente. Se eles lerão meus escritos ou não já é outra história. E, por falar em história, gostaria que minhas manifestações entrassem para a história. Não só porque aprecio imensamente história, como porque creio que um dia tais emissões de um pouco de mim possam ajudar alguém a aprender com meus erros e viver melhor, outro dos motivos para escrever.
Como disse, gosto de escrever, mas reluto em escrever por achar que o que tenho a registrar é insignificante. Mas, minha vida não pode ser insignificante. Ela me foi dada pelo Criador do Universo, e isso deve significar algo.
Talvez minhas revelações não produzam impacto algum, mas serão suficientes para demonstrar um pouco de mim.
O fato é que eu tenho vontade de escrever, e tenho muito sobre o que escrever.

BARULHOS DE UMA CASA

Quando eu era criança, minha casa fazia barulhos. Fazia o barulho do tanque de lavar roupas, da enceradeira lustrando o chão, do fósforo ou do isqueiro sendo aceso para atear a chama do fogão. Fazia também o barulho do rádio e da televisão, primeiro preto e branco, depois colorida. Quando eu era bem pequena, ela fazia o barulho do penico sendo tirado de debaixo da cama no meio da madrugada, e depois lá sendo colocado novamente. Havia o barulho das crianças brincando no quintal, o barulho do café da tarde com minha mãe e meu irmão mais velho. O barulho das torradas sendo tiradas do forno. Havia o barulho de todos reunido à mesa para o jantar. A casa também fazia barulho de futebol de botão, de pebolim, de acampamento na sala, onde ficava o beliche. Ah! Também tinha o barulho do meu irmão jogando pião, além do barulho avisando que o pipa era dele, aquele que outro alguém tinha perdido ou que ele mesmo havia “cortado”. Minha casa fazia o barulho de pessoas chamando no protão, ou batendo palmas. Não podemos esquecer do barulho da geladeira. E o barulho do pai em cima do telhado arrumando a antena?!
Aos poucos esses barulhos foram mudando. Passaram a ser o barulho da máquina de lavar roupas, do fogão elétrico, do vapor do ferro de passar roupas, da descarga do banheiro dentro de casa. Ao barulho do rádio e da televisão juntou-se o barulho do vídeo game, acompanhado de muitas reivindicações pela vez de jogar, é claro. Mais tarde, surgiu o barulho de um bebê, de seu choro, de suas mamadeiras, de suas fraldas, de pano, de seu andador, e, depois de um tempo, de suas acaloradas disputas pela vez de jogar no vídeo game; e mais tarde, pela luta dele por um vídeo game mais moderno. Minha casa fazia o barulho da campainha. O barulho de família se arrumando para ir ao parque era outro barulho que minha casa fazia.
Hoje, minha casa faz outros barulhos. Faz o barulho do micro-ondas, o barulho do freezer, da geladeira, o barulho do aparelho de tv à cabo, o barulho dos computadores sendo ligados (observe que disse computadores, no plural). Minha casa tem barulho de teclados de computadores, de botões de micro-ondas, de botões de máquina de lavar, de botão de acendimento elétrico do fogão de botão do controle remoto da televisão, de botão do controle remoto do aparelho de tv à cabo, de botão direito do mouse, de botão esquerdo do mouse, de botão, botão e mais botão. Minha casa hoje faz o barulho de cada um comendo “no seu canto”, de cada um, em seu próprio computador, acessando o que lhe interessa na internet, de cada um, cada um, cada um. Mas, minha casa faz um outro tipo de barulho, um barulho maravilhoso: o barulho de pessoas se arrumando para ir à igreja. Ah! Esse barulho! Esse barulho e magnífico. O barulho de casal se arrumando para ir ao shopping é um barulho que minha casa faz constantemente hoje. Celulares, celulares, celulares: outro barulho que minha casa não abre mão de ter. O barulho do rádio sumiu; deu lugar ao barulho das músicas em formato mp3.
Minha casa fazia barulho de café sendo coado no coador de pano; depois minha casa passou a fazer barulho de café sendo coado no coador de papel. Hoje, minha casa faz barulho de café sendo coado pela cafeteira.

AMIZADES

Tenho sérios problemas com amizades. Sempre arrumo para mim mesma amizades defeituosas. Cultivo ao máximo essas amizades. Doo-me ao máximo, chegando mesmo ao extremo. Então, “de repente, acontece!”. Começo a perceber, ver, enxergar, notar todas as coisas que me desagradam nessas amizades. Não só no que diz respeito às pessoas, mas às suas ações também. Por exemplo. Dou total liberdade para que elas manifestem suas opiniões, emitam seus pareceres e deem seus conselhos. Mas, aí, “de repente”, algumas palavras, como que palavras mágicas, causam em mim total ira. Isso mesmo: ira. E não estou me referindo ao Exército Republicano Irlandês (IRA – Irish Republican Army), e nem à banda brasileira de rock que fez sucesso nos anos 1980, com uma curto “volta” em 2004. Não. Refiro-me ao intenso sentimento de ódio, de rancor, ger. dirigido a uma ou mais pessoas em razão de alguma ofensa, insulto etc., ou rancor generalizado em função de alguma situação injuriante; fúria, cólera, indignação (dicionário Houaiss da língua portuguesa).
Além do fato de a ira ser uma obra da carne (Gálatas 5.19, parte a, e 20), há a triste realidade, à qual não posso me furtar, de que sempre sou eu a causadora de tais circunstâncias, tanto da “ofensa” que sofro como da ira que me acomete.
Há ainda outras ações praticadas de minha parte que não cabem ser mencionadas aqui. A prática mencionada acima serve de exemplo de minhas atitudes.
É claro que todos gostamos de emitir pareceres, opiniões e conselhos. Mas não gostamos de ouvi-los. Em minha defesa posso dizer que não tenho problemas em ouvi-los; tenho problemas com a forma como eles são expostos. Tonalidade de voz, expressão facial e corporal, ar de superioridade, arrogância e de que “eu sou melhor do que você” são suficientes para “disparar o gatilho” da fúria. Afora isso, fico encolerizada comigo mesmo por ter me submetido a tantas afrontas.
E se há algo engraçado nesta situação é que, no momento em que os ataques são dirigidos a mim, os recebo muito bem. Mas, no momento em que deito em minha cama e começo a pensar nas coisas que aconteceram no decorrer do dia e nas circunstâncias que exigiram o “abrir da boca” de meus amigos, aí é que eu fico totalmente fora de mim. A raiva toma conta do meu ser. Perco até o sono. Mas, para não magoar os que amo, simplesmente me calo e os deixo ir embora de minha vida, para sempre.
Agora, reflito eu, como prosseguir com uma amizade permeada pelo desejo de “explodir” e dizer tudo o que “está entalado na minha garganta”? Consequência: destruo todas as minhas amizades pois, como as construo por amor a tais amigos, jamais tenho coragem de magoá-los dizendo-lhes todos os rancores que tenho por todas as coisas que me disseram, com minha completa, total, plena e integral anuência. Os adjetivos dispostos imediatamente antes da palavra “anuência” ali estão, todos eles, com o objetivo de demonstrar qual real e efetiva é a minha autorização para que os amigos ajam de tal maneira.
O mesmo texto de Gálatas que fala das obras da carne fala, na sequência, do fruto do Espírito. E, um dos componentes desse fruto é a temperança. Alguns dos significados de tal termo são, de acordo com o dicionário Houaiss (mais uma vez): que age com moderação; comedido; prudente; não excessivo; razoável.
Bem, se eu colocasse em prática o fruto da temperança, não cometeria a obra da ira.
Limites. Tudo na vida tem que ter limites. Até no ato de se estabelecer uma amizade precisa haver limites.
Acabo me afastando, me distanciando dos meus queridos amigos, e eles nem sabem porquê (espero que este seja o “porque” correto para esta oração).
Limites, moderação, temperança, domínio próprio. Estas são as palavras de ordem do dia, inclusive ao instituir novas amizades.
É claro que muitas de minhas amizades se perderam nos caminhos naturais que a vida traça para nós, mas outras tantas eu mesma enxotei de minha vida, devido à minha falta de prudência.

MENTIRA

Fico tão nervosa, tão irritada com uma mentira que minha respiração chega a ficar ofegante.
Não é a mentira em si que me deixa exasperada, é a falta de coragem que as pessoas têm de admitir seus atos, suas ações.
A vida é feita de escolhas. Escolhemos fazer certas coisas, e quando nos deparamos com as óbvias e naturais consequências de tais escolhas, nos escondemos atrás de um “mas” ou um “é que”. Dizemos que as coisas “simplesmente aconteceram”. Nem o universo simplesmente aconteceu. E já pensou se Deus tivesse, após escolher criar o cosmos, fugido à consequência de mantê-lo em perfeito funcionamento e depois dissesse: “Aconteceu!”?
Temos livre-arbítrio. Fazemos escolhas. Não deixemos nossas responsabilidades sob a responsabilidade do acaso.
Há ainda aqueles que tentam negar ação ou fala executadas mediante testemunha ocular (e auditiva!), dizendo que não a praticou ou não a emitiu. Será que tais seres humanos pensam mesmo que farão com que a testemunha acredite que não viu o que viu ou não ouviu o que ouviu? Pode ser que o caso simplesmente se encerre após um “Você fez/falou” de um lado e um “Não fiz/falei” de outro, mas isso não significa que a mentira se estabeleceu como verdade. Às vezes simplesmente não há mais nada o que ser dito ou feito em relação àquele que de forma contumaz se recusa a admitir a prática e aceitar as consequências de determinados atos, sejam eles “grandes” ou “pequenos”. A verdade está tão clara que não mais o que se fazer para que um “Sim, eu fiz/falei” seja “arrancado” daquele que escolheu praticar a ação ou enunciar um pensamento ou sentimento e que escolheu mentir sobre tal ação ou enunciado.
Parecemos “Adões e Evas”, nunca admitindo nossos erros, sempre colocando a culpa em outra pessoa ou nas circunstâncias, sempre pensando que podemos enganar a Deus ou às testemunhas oculares (e auditivas!). E sempre aparece alguém dizendo: “Deixa pra lá”. Ainda bem que Deus não nos deixou pra lá e insistiu na verdade de que um erro tinha sido cometido, de que suas consequências precisavam ser encaradas e de que uma solução precisava ser encontrada. Ainda bem que Ele não simplesmente criou o universo e depois disse: “Aconteceu”.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A verdade importa?


Houve um tempo em que a verdade importava.
Às vezes, a verdade importava tanto que o amor ficava em segundo plano.
Em nossos dias, temos nos inclinado ao oposto extremo.
O amor substituiu a verdade e, no que tange à unidade, é mais importante que qualquer doutrina — inclusive o evangelho. Melhor tolerar a heresia — prossegue o argumento — do que parecer desamoroso para o mundo. Sob a égide da unidade, quase toda a divergência doutrinária é tolerada e violações de moralidade são prontamente perdoadas.
Erwin W. Lutzer. Quem é você para julgar? CPAD.

O autor descreve com propriedade a luta que o Evangelho Genuíno de Cristo vem enfrentando, momento no qual, sob a máscara do amor, todo tipo de desvio doutrinário e de conduta é aceito, com a desculpa de não se fazer acepção de pessoas. Esquece-se que ...qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus —Tiago 4.4.