Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu o intendo do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glórias, pois, a ele eternamente. Amém! - Romanos 11.33-36.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Pensamentos acumulados

O pior são aquelas pessoas doces e amáveis, cujas ações nefastas o mundo desconhece. Somente os que com elas convivem intimamente é que têm ciência do poder ruinoso de seus intentos. E se ousam tentar proclamar a verdade, são tidos por loucos, mentirosos e ingratos; por problemáticos, paranóicos, equivocados.

Eu não sou bipolar nem instável. A vida é que é. Eu só a acompanho.

As horas passam muito rápido. Gostaria de fazer muitas coisas que gosto. Não há tempo para todas. Preciso escolher. Gostaria de fazer todas. Mas as horas passam muito rápido. Não quero ter que escolher. Mas as horas não se importam com isso. Elas continuam passando rápido, e cada vez mais rápido.

Existe o lado ruim das redes sociais: exposição exceciva, exposição ao perigo, exibicionismo. Mas existe o lado bom: falar com quem amamos e compartilhar as coisas boas que acontecem em nossa vida. Tenho sempre pensado no lado bom. E as coisas boas podem ser "grandes", como uma viagem, ou "pequenas", como uma ida ao shopping. Além disso, o que é grande ou pequeno pra um, pode não ser pra outro, dependendo de suas condições financeiras/sociais.

Todos nós temos pontos fracos em nossa carne. Pode ser desde um desejo carnal mesmo, como costumamos dizer, a um "simples" problema de temperamento. E, quando pensamos que superamos tal ponto fraco, o diabo nos tenta, e se nós não estivermos verdadeiramente sujeitos a Cristo e repletos de Sua palavras, nós cedemos.

Há momentos em que temos vontade de jogar tudo pro alto e fazer o que a carne quer; mas lembramos que Deus habita em nós, e decidimos fazer o que Ele quer.

ele (sim, "ele" com letra minúscula) tem tentáculos malignos que sempre me alcançam. mas eu resito, não me entrego, não me rendo, e Deus vai me livrar.



quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Solidão

Amiga,

hoje liguei o computador, eufórica, certa de quem encontraria e-mails e recados nas redes sociais comentando minha ausência na igreja e perguntando se eu estou bem. Minha decepção foi total. Nenhuma mensagem sequer. Por outro lado, melhor não ter nenhuma do que ter mensagem só de cobrança, como sempre acontece, com exceção de algumas poucas pessoas.

Meu esposo recebeu um e-mail com tal conteúdo (o de preocupação). Isso logo me fez pensar: se ele recebeu, eu também recebi.

Você pode perguntar o que isso tem a ver. É inveja ou ciúme? Explico: o e-mail foi enviado por um irmão a quem amamos muito; logo, simplesmente imaginei que eu também teria recebido um.

Há alguns dias, entretanto, uma irmã muito querida, mas com quem não consigo conversar muito, devidos às atividades que desenvolvemos na igreja, me mandou um recado notando minha ausência e expressando sua preocupação para comigo. Eu muito me alegrei, é claro. Confesso: jamais pensei que a referida irmã se lembraria de mim. Mas ela se lembrou! Não desprezo, de modo algum, aqueles que se preocupam comigo, me amam e expõe tais sentimentos (sou a gradecida a Deus por eles, que alegram meu viver), mas inquiro aqueles que tanto se proclamam meus amigos e não o fazem.

Outra coisa: no meu aniversário deste ano, uma única pessoa da igreja me telefonou para dar parabéns. Sempre ligo para as minhas amigas, dou presente. Não porque eu queria algo em troca, mas porque gosto de demonstrar meu amor e porque penso que relacionamentos devem ser cultivados, para que não morram. Em três anos que estamos nesta igreja, ninguém nunca deu um parabéns para meu esposo no aniversário dele. Acho que não sabem que ele faz aniversário.

Este acontecimento me fez pensar, mais uma vez, em coisas que eu já vinha pensando há algum tempo, mas às quais não querida dar vazão. Tentarei expor tais pensamentos/sentimentos a seguir.

Amiga, eu te amo muito. Sei, pelo menos acho, que você também me ama. Sei porque você já disse, acho porque você não demonstra. Não como vocês demosntra por e para suas outras amigas. Você não é uma pessoa piegas, assim como eu também não sou, mas nunca perco uma oportunidade de dizer que te amo e de demonstrar este amor. Você também não, mas em relação a outras amigas, como ja disse.

Exemplifico. Estou sumida da igreja, com questões difíceis a serem resolvidas, e você nunca perguntou como eu estou, nem deixou um mísero oi no meu facebook. Alguém poderei alegar que é o seu jeito diferente de amar. E eu retrucaria dizendo que para suas outras amigas você é só amores, saudades e preocupações.

O fato é que eu passei da fase do ciúme para a fase do questionamento sobre a veracidade e reciprocidade de tal amizade.

Pergunto a mim mesma: será que tenho dado valor às pessoas "erradas"? Será que busquei amizade nas pessoas "erradas"?

Não me acostumo com a solidão. Não me refiro ao sentimento, mas ao fato de ser deixada de lado mesmo.

Não quero ser mais uma na multidão de amigos, ou simplesmente aquela que faz parte do grupo. Quero ser especial, como as suas outras amigas são.

É claro que não foram somente esses fatos aqui mencionados que despetaram essa dor em mim.

Esses dias uma pessoa da igreja fez aniversário, e todos os amigos dessa pessoa foram convidados. Eu sou amiga dessa pessoa. Logo, fui convidada, certo? Errado! Não, não fui convidada. Acho que há algo errado aí.

Outra coisa: reparei que nenhuma amizade que desenvolvi na igreja, com exceção da sua e de mais duas, foi desenvolvida naturalmente, sem que tais amigos tivessem algum interesse além de minha amizade (e de meu esposo). Mais claramente falando: ninguém se aproxima de nós porque tem intersse somente em nossa amizade, pura e simplesmente.

Para o meu problema já pensei em várias soluções: buscar novas amizades (porque, no mínimo, estou fazendo amizade com as pessoas erradas); não querer mais nenhuma amizade, com ninguém de minha igreja; mudar de igreja e não ter amizades. Qual você acha que devo adotar? Estou aberta a outras sugestões, afinal, amigos servem para isso.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Alguns pensamentos nesta manhã

1º) Judeus e Gentios

"Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia." - Rm 11.32.

Os gentios salvos não devem ser soberbos em relação aos judeus, por Deus os ter "rejeitado", pois "o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado" (Rm 11.25b). "Então não te ensoberbeças, mas teme, porque, se Deus não poupou os ramos naturais, teme que não te poupe a ti também." (Rm 11.20b e 21). "Porque assim como vós também antigamente fostes desobedientes a Deus, mas agora alcançastes misericórdia pela desobediência deles, assim também estes agora foram desobedientes, para também alcançarem misericórdia pela misericórdia a vós demonstrada" (Rm 11.30 e 31).

2º) "Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem" (Rm 12.9b), não somente o mal e o bem na prática, nos atos, palavras, nas ações, mas também, e principalmente, em nossas mentes e corações, de onde procem todas a s coisas - Pv 3.23; Lc 6.45

3º) Deus escreveu dois livros, por meio dos quais Ele se revelou: um chamado "natureza" e outro chamado "Escrituras" (John Sttot).

4º) "Todos nós, de tempo em tempos, precisamos recordar os princípios básicos da vida espiritual, os quais, de maneira ingênua, pensamos ter superado há muito tempo" - Timothy Dudley-Smith.

5º) "Deus é muito crítico em relação à "religião", se ela sifnificar serviços religiosos separados da vida real, do serviço amoroso e da obediência moral proveniente do coração" - John Sttot.

6º) "Não existe separação entre sagrado e secular em uma mente cristã" - J. L. Moreland.

sábado, 13 de agosto de 2011

Há Vagas!

Igreja não é empresa, mas as pessoas devoram umas às outras para "subirem de cargo", serem "promovidas", "progredirem" na carreira. Pena que não seja a carreira proposta por Deus, e pena que o prêmio que anelam não seja o da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Ao invés de esquecerem das coisas que para trás ficam, passam os outros para trás e esquencem-se deles. Aliás, por que se lembrar, com algum remorso, daqueles que ficaram para trás? Pessoas não são importantes, cargos, sim. Se os "deixados para trás" são lembrados, o são apenas como um degrau na escada do "sucesso" de alguém, como uma piada. Afinal, é preciso esquecer das coisas que para trás ficam, e é isso que as pessoas são (na visão de alguns, claro): coisas.

Igreja não é empresa, mas se houver vagas, ou alguém a ser derrubado...

Sábado de sol...

“Obrigada, Senhor, pelo maravilhoso sábado!” Esse foi sentimento que veio ao meu coração para compartilhar no Facebook. Em seguida pensei: “Sábado de sol.” Inevitavelmente essa frase foi automaticamente completada pelo me cérebro com a seguinte oração: “...aluguei um caminhão”.

Aceitei Jesus como único e suficiente Salvador poucos dias após o fim trágico das pessoas que encenavam a música supra citada. Assim, ela e elas (música e pessoas) fizeram parte da minha vida, “muita parte”.

Que fim trágico essas pessoas tiveram!

As coisas acabam de repente, a vida termina abruptamente. E o que eles fizeram com a vida deles? Levaram alegria (mundana e luxuriosa) a um país inteiro? Sim. E olha que o país é bem extenso. Possui uma área territorial do tamanho de um continente! Alcançaram o sucesso (nos moldes do mundo, segundo aquilo que o mundo dita que é sucesso)? Sim. E como alcançaram! Um sucesso estrondoso. Mas, o que eles fizeram com a vida deles? Ah! Eles correram a carreira, que o mundo propôs a eles. Eles esqueceram das coisas que ficaram para trás: da falta de fama e dinheiro, dos Princípios que lhes foram pregados.

Chorei, chorei muito quando recebi a notícia. Lembro-me do que estava fazendo, do que ia fazer (até receber a notícia), do que tinha programado para o meu dia, para o meu sábado de sol, para aquele sábado de sol. Eles faziam parte da minha vida, da minha alegria adolescente, dos momentos mais “felizes” dessa faze da minha vida. E o que eles fizeram com a vida deles?

O sábado já não é mais de sol, e não há a possibilidade de alugar um caminho pra colocar toda a galera (pesquise galera) e levá-la pra se “alegrar”. E o que eles fizeram com a vida deles, enquanto a tinham? Não há mais convites para “festas”, nem mais “vislumbres” do mundo animal, nem mais Brasília amarela; não há mais music very good, nem money, nem work, nem seres humanos fantásticos, nem poderes titânicos, nem euforia. E o que eles fizeram com a vida deles? Eles abriram a mente!

Não sinto saudade do tempo em os conheci, e não conhecia a Deus. Não sinto saudade da “diversão” que eles traziam, nem da que suas canções embalavam. Tenho saudade da vida que eles não tiveram, saudade da vida que nunca terão, saudade da utopia que nunca viverão, dos voos que nunca alçarão (só Deus sabe). Sinto saudade de quando eles não eram verdadeiramente galera (mais uma vez: só Deus sabe).

Obrigada, Senhor, pelo maravilhoso sábado. Sábado de sol. E ainda que um dia ele esteja nublado, a Tua luz brilhará em minha vida e me guiará. Sábado de sol, passei com o meu Senhor. Sábado de sol, segurei em Sua mão. E estou aqui, com o Senhor em meu coração. E ao chegar Lá, não haverá nenhuma vergonha. Existirá a árvore da vida, e dela comerei. E lá, o Sol da Justiça me iluminará! E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. E ele? O que fizeram de suas vidas.

Sinto saudade por eles não estarem lá comigo (Deus é que é Onisciente).

Sábado de sol.

A comunicação continua...

os scraps e e-mail são em massa; a impessoalidade também.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Comunicação sem fim

Contas de e-mail: 3.

Números de telefone celular: 3, de operadoras diferentes, claro, pra poder falar com todos. Ainda utilizo-me de uma quarta operadora que presta serviços ao meu esposo. rs.

Redes sociais: peraí que eu vou contar... orkut, facebook, twitter... 3 de novo.

Fora msn e skip, que eu não sei como classificar.

Ah! Ainda há dois blogs: o dos adôs e o meu.

Internet na escola, no trabalho, na lan house, no desktop, no notebook, no netbook, no celular (com certeza esqueci de algum aparelho moderníssimo que eu nem conheço).

E pra quê tudo isso? Tudo pra tentar ficar mais perto de vocês, que eu tanto amo. Tudo pra tentar fazer parte um pouquinho mais da vida de vocês, pois o meu amor não se contenta com 1 hora no domingo de manhã. Tudo pra tentar estar mais com vocês.

São tantos números, e contas, e redes, que fico perdida. É tanta coisa e ainda sim não consigo estar inteirada de tudo. Sempre ocorre de ser dado um aviso em um destes meios de comunicação e eu perder. Sempre há um lembrete ou convite ou convocação ou informação que eu não vi. E com toda essa tecnologia, sempre um ou outro fica fora de algo, sempre alguém esquece de avisar algo importantíssimo a alguém, alguém sempre não "teve como avisar" outro alguém de alguma coisa de primordial importância!

Mas, se todos os meios (não conheço todos os recursos de nenhum deles) servirem pra demonstrar um pouquinho do quanto me importo com vocês, pra mim já é o bastante!

Mudando um pouquinho de assunto, mas nem tanto, tantas redes sociais, e-mails, números de telefone, tantas possibilidades de comunicação se prestam a um outro serviço: ignorar as pessoas, deixá-las de lado, menosprezá-las, esquecê-las. É certo que existem para aproximar as pessoas, mas, muuuuuuuitas vezes, simplesmente mostram como algumas pessoas simplesmente não fazem parte da vida de ninguém! Esse ninguém a quem me refiro são aquelas pessoas tidas na mais alta estima por esse que não faz parte da vida de ninguém; são aquelas pessoas que dizem ser suas amigas!

Há pessoas que têm tudo o que se pode ter em termos de comunicação, e ainda assim são excluídas, estão sempre à margem, são as últimas a saber... Nesses casos, toda essa tecnologia serve pra mostrar a essas pessoas o quão isoladas elas estão. As fotos mostram os momentos maravilhosos que seus amigos tiveram juntos... ele(a) não está lá. Opa! Eu disse "amigos"? Errei! Quis dizer apenas "contatos", ou "conhecidos".

Há sempre os dois lados da moeda: se o excluído tenta se integrar, é intrometido; se fica quieto no seu canto, é porque não liga mesmo. E se ele se queixar, então, por não fazer parte, aí é que a culpa disso é dele mesmo por não ter corrido atrás, ou aí é que é enxerido pra valer, "quer ser", "quer aparecer", "quer causar", como dizem os mais moderninhos.

E aqueles risinhos sem graça do grupo de "amigos" quando aquela coisa de suma importância que deveria ter sido dita e não foi acaba sendo dita na frente daquele que deveria ter sido avisado e não foi.

É clichê, mas uma ação vale mais do mil palavras. E ninguém se dá mais nem ao trabalho de mandar um recado exclusivo para um amigo. Já manda logo recados prontos e em massa, pra todos de uma vez, sem ter que pensar em palavras especiais pra dizer nem no perfil e necessidade de cada um. Os recados agora são de baciada também.

Você pode se perguntar o por quê de tais palavras. Pode até já ter formado sua teoria. Aqui vai a minha: observo as pessoas, e percebi estas coisas. Claro que já fui a excluída, mas, com certeza, também já excluí alguém. Só não aceito a desculpa de que foi sem querer, pois basta prestar um pouco de atenção que vou me lembrar de alguém que precisa ser avisado, comunicado, convocado, convidado. Estas palavras são um alerta para que não venhamos a ferir as pessoas através de mais estes meios. Já reparou que é sempre a mesma pessoa que é esquecida? Será que não é mais fácil não mentir ao invés de dizer que é amiga(o) dela e depois destratá-la, menosprezá-la? Onde está o amor cristão em tudo isso, o amor pelo qual o Senhor falou que seríamos conhecidos como discípulos dEle?

segunda-feira, 20 de junho de 2011

ESCREVER

Bem, eu gosto muito de escrever, e tenho muito sobre o que escrever. Mas, sempre que penso em escrever, também penso: “Por quê? Para que? Para quem”. Bem, quero escrever porque é uma forma maravilhosa de comunicação e expressão. Posso comunicar-me com Deus e expressar meus pensamentos e sentimentos para Ele, e muitas vezes deixo de escrever por isso. Mas, se o que tenho a exprimir fica gritando para ser escrito, por que não fazê-lo? Também quero escrever para meus amigos (aqueles que restaram), para que eles saibam um pouco mais sobre mim, um pouco mais profundamente. Se eles lerão meus escritos ou não já é outra história. E, por falar em história, gostaria que minhas manifestações entrassem para a história. Não só porque aprecio imensamente história, como porque creio que um dia tais emissões de um pouco de mim possam ajudar alguém a aprender com meus erros e viver melhor, outro dos motivos para escrever.
Como disse, gosto de escrever, mas reluto em escrever por achar que o que tenho a registrar é insignificante. Mas, minha vida não pode ser insignificante. Ela me foi dada pelo Criador do Universo, e isso deve significar algo.
Talvez minhas revelações não produzam impacto algum, mas serão suficientes para demonstrar um pouco de mim.
O fato é que eu tenho vontade de escrever, e tenho muito sobre o que escrever.

BARULHOS DE UMA CASA

Quando eu era criança, minha casa fazia barulhos. Fazia o barulho do tanque de lavar roupas, da enceradeira lustrando o chão, do fósforo ou do isqueiro sendo aceso para atear a chama do fogão. Fazia também o barulho do rádio e da televisão, primeiro preto e branco, depois colorida. Quando eu era bem pequena, ela fazia o barulho do penico sendo tirado de debaixo da cama no meio da madrugada, e depois lá sendo colocado novamente. Havia o barulho das crianças brincando no quintal, o barulho do café da tarde com minha mãe e meu irmão mais velho. O barulho das torradas sendo tiradas do forno. Havia o barulho de todos reunido à mesa para o jantar. A casa também fazia barulho de futebol de botão, de pebolim, de acampamento na sala, onde ficava o beliche. Ah! Também tinha o barulho do meu irmão jogando pião, além do barulho avisando que o pipa era dele, aquele que outro alguém tinha perdido ou que ele mesmo havia “cortado”. Minha casa fazia o barulho de pessoas chamando no protão, ou batendo palmas. Não podemos esquecer do barulho da geladeira. E o barulho do pai em cima do telhado arrumando a antena?!
Aos poucos esses barulhos foram mudando. Passaram a ser o barulho da máquina de lavar roupas, do fogão elétrico, do vapor do ferro de passar roupas, da descarga do banheiro dentro de casa. Ao barulho do rádio e da televisão juntou-se o barulho do vídeo game, acompanhado de muitas reivindicações pela vez de jogar, é claro. Mais tarde, surgiu o barulho de um bebê, de seu choro, de suas mamadeiras, de suas fraldas, de pano, de seu andador, e, depois de um tempo, de suas acaloradas disputas pela vez de jogar no vídeo game; e mais tarde, pela luta dele por um vídeo game mais moderno. Minha casa fazia o barulho da campainha. O barulho de família se arrumando para ir ao parque era outro barulho que minha casa fazia.
Hoje, minha casa faz outros barulhos. Faz o barulho do micro-ondas, o barulho do freezer, da geladeira, o barulho do aparelho de tv à cabo, o barulho dos computadores sendo ligados (observe que disse computadores, no plural). Minha casa tem barulho de teclados de computadores, de botões de micro-ondas, de botões de máquina de lavar, de botão de acendimento elétrico do fogão de botão do controle remoto da televisão, de botão do controle remoto do aparelho de tv à cabo, de botão direito do mouse, de botão esquerdo do mouse, de botão, botão e mais botão. Minha casa hoje faz o barulho de cada um comendo “no seu canto”, de cada um, em seu próprio computador, acessando o que lhe interessa na internet, de cada um, cada um, cada um. Mas, minha casa faz um outro tipo de barulho, um barulho maravilhoso: o barulho de pessoas se arrumando para ir à igreja. Ah! Esse barulho! Esse barulho e magnífico. O barulho de casal se arrumando para ir ao shopping é um barulho que minha casa faz constantemente hoje. Celulares, celulares, celulares: outro barulho que minha casa não abre mão de ter. O barulho do rádio sumiu; deu lugar ao barulho das músicas em formato mp3.
Minha casa fazia barulho de café sendo coado no coador de pano; depois minha casa passou a fazer barulho de café sendo coado no coador de papel. Hoje, minha casa faz barulho de café sendo coado pela cafeteira.

AMIZADES

Tenho sérios problemas com amizades. Sempre arrumo para mim mesma amizades defeituosas. Cultivo ao máximo essas amizades. Doo-me ao máximo, chegando mesmo ao extremo. Então, “de repente, acontece!”. Começo a perceber, ver, enxergar, notar todas as coisas que me desagradam nessas amizades. Não só no que diz respeito às pessoas, mas às suas ações também. Por exemplo. Dou total liberdade para que elas manifestem suas opiniões, emitam seus pareceres e deem seus conselhos. Mas, aí, “de repente”, algumas palavras, como que palavras mágicas, causam em mim total ira. Isso mesmo: ira. E não estou me referindo ao Exército Republicano Irlandês (IRA – Irish Republican Army), e nem à banda brasileira de rock que fez sucesso nos anos 1980, com uma curto “volta” em 2004. Não. Refiro-me ao intenso sentimento de ódio, de rancor, ger. dirigido a uma ou mais pessoas em razão de alguma ofensa, insulto etc., ou rancor generalizado em função de alguma situação injuriante; fúria, cólera, indignação (dicionário Houaiss da língua portuguesa).
Além do fato de a ira ser uma obra da carne (Gálatas 5.19, parte a, e 20), há a triste realidade, à qual não posso me furtar, de que sempre sou eu a causadora de tais circunstâncias, tanto da “ofensa” que sofro como da ira que me acomete.
Há ainda outras ações praticadas de minha parte que não cabem ser mencionadas aqui. A prática mencionada acima serve de exemplo de minhas atitudes.
É claro que todos gostamos de emitir pareceres, opiniões e conselhos. Mas não gostamos de ouvi-los. Em minha defesa posso dizer que não tenho problemas em ouvi-los; tenho problemas com a forma como eles são expostos. Tonalidade de voz, expressão facial e corporal, ar de superioridade, arrogância e de que “eu sou melhor do que você” são suficientes para “disparar o gatilho” da fúria. Afora isso, fico encolerizada comigo mesmo por ter me submetido a tantas afrontas.
E se há algo engraçado nesta situação é que, no momento em que os ataques são dirigidos a mim, os recebo muito bem. Mas, no momento em que deito em minha cama e começo a pensar nas coisas que aconteceram no decorrer do dia e nas circunstâncias que exigiram o “abrir da boca” de meus amigos, aí é que eu fico totalmente fora de mim. A raiva toma conta do meu ser. Perco até o sono. Mas, para não magoar os que amo, simplesmente me calo e os deixo ir embora de minha vida, para sempre.
Agora, reflito eu, como prosseguir com uma amizade permeada pelo desejo de “explodir” e dizer tudo o que “está entalado na minha garganta”? Consequência: destruo todas as minhas amizades pois, como as construo por amor a tais amigos, jamais tenho coragem de magoá-los dizendo-lhes todos os rancores que tenho por todas as coisas que me disseram, com minha completa, total, plena e integral anuência. Os adjetivos dispostos imediatamente antes da palavra “anuência” ali estão, todos eles, com o objetivo de demonstrar qual real e efetiva é a minha autorização para que os amigos ajam de tal maneira.
O mesmo texto de Gálatas que fala das obras da carne fala, na sequência, do fruto do Espírito. E, um dos componentes desse fruto é a temperança. Alguns dos significados de tal termo são, de acordo com o dicionário Houaiss (mais uma vez): que age com moderação; comedido; prudente; não excessivo; razoável.
Bem, se eu colocasse em prática o fruto da temperança, não cometeria a obra da ira.
Limites. Tudo na vida tem que ter limites. Até no ato de se estabelecer uma amizade precisa haver limites.
Acabo me afastando, me distanciando dos meus queridos amigos, e eles nem sabem porquê (espero que este seja o “porque” correto para esta oração).
Limites, moderação, temperança, domínio próprio. Estas são as palavras de ordem do dia, inclusive ao instituir novas amizades.
É claro que muitas de minhas amizades se perderam nos caminhos naturais que a vida traça para nós, mas outras tantas eu mesma enxotei de minha vida, devido à minha falta de prudência.

MENTIRA

Fico tão nervosa, tão irritada com uma mentira que minha respiração chega a ficar ofegante.
Não é a mentira em si que me deixa exasperada, é a falta de coragem que as pessoas têm de admitir seus atos, suas ações.
A vida é feita de escolhas. Escolhemos fazer certas coisas, e quando nos deparamos com as óbvias e naturais consequências de tais escolhas, nos escondemos atrás de um “mas” ou um “é que”. Dizemos que as coisas “simplesmente aconteceram”. Nem o universo simplesmente aconteceu. E já pensou se Deus tivesse, após escolher criar o cosmos, fugido à consequência de mantê-lo em perfeito funcionamento e depois dissesse: “Aconteceu!”?
Temos livre-arbítrio. Fazemos escolhas. Não deixemos nossas responsabilidades sob a responsabilidade do acaso.
Há ainda aqueles que tentam negar ação ou fala executadas mediante testemunha ocular (e auditiva!), dizendo que não a praticou ou não a emitiu. Será que tais seres humanos pensam mesmo que farão com que a testemunha acredite que não viu o que viu ou não ouviu o que ouviu? Pode ser que o caso simplesmente se encerre após um “Você fez/falou” de um lado e um “Não fiz/falei” de outro, mas isso não significa que a mentira se estabeleceu como verdade. Às vezes simplesmente não há mais nada o que ser dito ou feito em relação àquele que de forma contumaz se recusa a admitir a prática e aceitar as consequências de determinados atos, sejam eles “grandes” ou “pequenos”. A verdade está tão clara que não mais o que se fazer para que um “Sim, eu fiz/falei” seja “arrancado” daquele que escolheu praticar a ação ou enunciar um pensamento ou sentimento e que escolheu mentir sobre tal ação ou enunciado.
Parecemos “Adões e Evas”, nunca admitindo nossos erros, sempre colocando a culpa em outra pessoa ou nas circunstâncias, sempre pensando que podemos enganar a Deus ou às testemunhas oculares (e auditivas!). E sempre aparece alguém dizendo: “Deixa pra lá”. Ainda bem que Deus não nos deixou pra lá e insistiu na verdade de que um erro tinha sido cometido, de que suas consequências precisavam ser encaradas e de que uma solução precisava ser encontrada. Ainda bem que Ele não simplesmente criou o universo e depois disse: “Aconteceu”.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A verdade importa?


Houve um tempo em que a verdade importava.
Às vezes, a verdade importava tanto que o amor ficava em segundo plano.
Em nossos dias, temos nos inclinado ao oposto extremo.
O amor substituiu a verdade e, no que tange à unidade, é mais importante que qualquer doutrina — inclusive o evangelho. Melhor tolerar a heresia — prossegue o argumento — do que parecer desamoroso para o mundo. Sob a égide da unidade, quase toda a divergência doutrinária é tolerada e violações de moralidade são prontamente perdoadas.
Erwin W. Lutzer. Quem é você para julgar? CPAD.

O autor descreve com propriedade a luta que o Evangelho Genuíno de Cristo vem enfrentando, momento no qual, sob a máscara do amor, todo tipo de desvio doutrinário e de conduta é aceito, com a desculpa de não se fazer acepção de pessoas. Esquece-se que ...qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus —Tiago 4.4.

sábado, 30 de abril de 2011

Trabalho


Sim, precisamos do Senhor! Não há nada de bom em andar longe dEle. Não somos autossuficientes para resolvermos todos os nossos problemas. Se pensarmos o contrário, acabaremos fechando as portas para o amor do Senhor e das Suas preciosas bênçãos. Deus nunca se afasta de nós e nem rejeita as nossas petições. É o ser humano, com suas vaidades e indiferenças, que dEle se afasta como se nada precisasse do Senhor.

O livro de Provérbios, capítulo 20, versículo 13, nos diz: "Se você gastar o seu tempo dormindo, acabará pobre; trabalhe e terá comida com fartura". A nossa realidade social nos mostra que são muitas as pessoas que hoje estão em busca de um trabalho para sustentar a família. Por isso, se temos trabalho, temos muitos motivos para agradecer a Deus. Um coração agradecido é capaz de olhar à sua volta e ver que há muita gente precisando de ajuda.

Se hoje temos um trabalho é porque certamente o nosso pedido "o pão nosso de cada dia nos dá hoje", chegou ao coração de Deus. Não esqueçamos de agradecer a Deus por essa benção chamada "trabalho", pois é através do nosso trabalho honesto que Deus quer nos dar aquilo que necessitamos. Jesus realizou o trabalho mais difícil em nosso lugar: Ele pagou a dívida dos nossos pecados com Sua morte e ressurreição. Com fé nEle, podemos trabalhar tranquilos na certeza da vida eterna!
Por 
Carlos Matheus Tarzia Jr.

Bacharel em Teologia
Mestre em Teologia Sistemática