Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu o intendo do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glórias, pois, a ele eternamente. Amém! - Romanos 11.33-36.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Oração


MATEUS 6. 5 – 13

VÃS REPETIÇÕES

versículo 7:

Algumas orações são erradas porque os homens acham que se ficarem repetindo a mesma coisa obterão o favor de Deus pelo “muito falar”, e não pelo desejo ardente e puro de seus corações.

Os pagãos tem por prática repetir palavras, sílabas, sons, com o objetivo de controlar seus deuses e alcançar seus desejos egoístas.

E no versículo 7 vemos que não é pelo “muito falar” que recebemos as bênçãos de Deus.

ENTÃO NÃO DEVEMOS PERSISTIR NA ORAÇÃO?

Não é isso.

“Persistir” é diferente de “vã repetição”.

Temos o exemplo da parábola do juiz iníquo e o exemplo do cego de Jericó, respectivamente nos textos de Lc 18. 1 – 5 e Mc 10. 46 – 52.

A persistência demonstra nosso fervor e sinceridade e o nosso amor para com Deus.

MAS SE DEUS JÁ SABE O QUE NECESSITO, POR QUÊ ORAR?

O versículo 8 nos diz: “... porque vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de vós lho pedirdes.”

Diante disso cabe a explicação de que a oração não tem a finalidade de informar a Deus, mas sim de cultivar um relacionamento íntimo com Ele, reforçando nossa confiança e harmonizando nossa vontade com a vontade de Deus, como vemos em Sl 37. 4 e 5, em Rm 12. 1 e 2 e em Mt 6.10.

Vejamos:

Em Lc 11. 13 Jesus disse que aquele que pedisse o Espírito Santo receberia e nós sabemos que o Espírito Santo nos revela a Sua vontade para nossas vidas e age em nós de forma que passamos a desejar o que Deus deseja.

E quando seguimos o exemplo do já mencionado texto de Mt 6.10, ou seja, quando oramos para que seja feita a vontade do Pai, nos rendemos à sua autoridade, nos abrimos para que Ele cumpra Seus melhores propósitos em nossas vidas. Tal atitude expressa humildade, reconhecimento de que Ele sabe o que é melhor para cada um de nós e manifestamos também nossa disposição para obedecê-lO.

A oração, portanto, não é uma fórmula mágica para obter o que queremos, mas sim uma forma de nos colocarmos em conformidade com o desejo de Deus.

Ainda que o nosso amado Pai saiba tudo a nosso respeito, Ele se alegra quando lhE contamos o que acontece conosco. Esta ação demonstra nossa confiança, intimidade e dependência do Senhor, especialmente quando as guerras se levantam contra nós.

A oração é o meio de nos levarmos à conformidade com a vontade de Deus, e não um mantra mágico que nos assegura a conformidade de Deus a nós, a conformidade da vontade de Deus à nossa vontade.

Orar é reconhecer a soberania de Deus em cada detalhe de nossas vidas.

É um modo de dizer: “Graças a Deus este mundo está sob o comando dEle, e não sob o meu comando”.

A oração é não somente um meio de levarmos nossos pedidos a Deus, mas também uma oportunidade de construir um relacionamento íntimo com Ele.

ALGUMAS RAZÕES PELAS QUAIS ORAÇÕES NÃO SÃO RESPONDIDAS:

Vãs repetições - Mt 6.7: E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que, por muito falarem, serão ouvidos.

Não pedir – Tg 4.2: Cobiçais e nada tendes; sois invejosos e cobiçosos e não podeis alcançar; combateis e guerreais e nada tendes, porque não pedis.

Pedir mal, para gastar mal – Tg 4.3: Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites.

Falta de perdão – Mc 11. 24 - 26: Por isso, vos digo que tudo o que pedirdes, orando, crede que o recebereis e tê-lo-eis. E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas. Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, vos não perdoará as vossas ofensas.

MAS NOSSA ORAÇÃO FAZ DEUS MUDAR DE IDÉIA?

Alguns dizem que não, pois isso contraria a natureza imutável de Deus.

Outros dizem que Deus, de antemão, sabendo que poderemos orar, determina que mudará sua atitude.

O fato é que temos exemplos bíblicos de ocasiões em que Deus “mudou” de idéia:

- Deus prometera destruir os israelitas, por causa da idolatria deles através da adoração ao bezerro de ouro, construído por eles mesmos, mas Moisés orou e Deus deixou de fazê-lo: Êx 32. 9 – 14.

- Depois de avisar que destruiria Nínive, “voltou atrás” no que havia anunciado porque os ninivitas se arrependeram: Jn 3. 10.

Na prática, sabemos que a oração muda situações. Exemplos:

- Paulo e Silas na prisão: At 16. 25 e 26.

- Ana, que era estéril, se tornou mãe de Samuel: 1 Sm 1.

- Ezequias, que teve seus anos de vida prolongados: Is 38. 1- 5.

ALGUNS VERSÍCULOS SOBRE ORAÇÃO:

Mt 21. 22; Mc 11. 22; Jo 14. 13 – 14; Jo 15. 7; Jo 16. 23 e 24; Fp 4. 6; Tg 5. 16; 1 Jo 3. 22; 1 Jo 5. 14 e 15

CONCLUSÃO

Na mente da maioria das pessoas, a oração é vista EQUIVOCADAMENTE como um meio pelo qual a vontade de Deus é modificada ou pelo menos ampliada para incluir as preocupações daquele que está orando.

Mas, na verdade, a oração não tem tanto o objetivo de levar Deus a prestar atenção aos nossos pedidos, mas sim de alinhar nossos pedidos com a sua perfeita e desejável vontade para conosco. É aprender a pensar os pensamentos de Deus e a desejar os desejos de Deus.

A oração não é um macete para empregar os recursos da onipotência divina em favor do cumprimento de nossos próprios desejos, mas um meio pelo qual nossos desejos podem ser redirecionados de acordo com a mente de Deus e colocados em linha com as forçar de Sua vontade.

A oração, muito mais do que falar com Deus, é ouvi-lO.

Jesus, sim, Jesus, orou para que fosse feita a vontade do Pai. No nosso caso, geralmente, só oramos assim no “ritual” do “Pai Nosso”: o Pai é nosso, mas a vontade é só minha, é só ela que conta e é ela que eu quero que se cumpra. Deus é soberano e tem TODO O PODER, tanto para QUERER quanto para EFETUAR. Sim, este é o segredo: o querer de Deus, a vontade dEle, que é boa, agradável e perfeita. Quando temos uma vida de verdadeira comunhão com Deus, Sua vontade passa a ser nossa vontade, então, andando em Seus caminhos, nós oramos e Ele nos atende. E, se em Sua Soberania, Ele não nos atender, a Sua graça nos basta, pois o maior milagre Ele já fez em nossas vidas, o maior presente Ele já nos deu, a bênção das bênçãos Ele já nos concedeu: a salvação de nossas almas, por intermédio de Sua misericórdia e de Sua Maravilhosa Graça, que é maior que nossos pecados e maior do que podemos pensar, imaginar, entender plenamente e explicar com nosso conhecimento e raciocínio limitados, afinal, é Graça de Deus (Mt 6.9-13; Sl 62.11; Fp 2.13; Rm 12.1 e 2; Tg 4.13-15; Sl 37.3-7a; João 15.7 e 16; 2 Co 12.7-10).